como diriam naquele antigo programa: "Isto é in-crí-vel!"
é por volta da sexta vez não-consecutiva (teve uma vez entre elas que foge à regra) que eu saio de casa, piso para fora do portão e o mundo acaba em água. num é garoinha não, chuva fina: é água a dar com pau. e sempre próximo de cada, seja indo, seja voltando. e isso torna tudo ainda mais não-crível, pois sei que estou a cerca de 300 metros de casa e preciso fazer estes 300 metros nadando braçadas.
os meio-fios somem nas corredeiras d'água; os buracos viram lagos; a rua sem saída de paralelepípedos que termina no beco com escada se transforma numa cachoeira nível 4 no rafting.
são paulo é cidade pitfall, onde temos que pular rios nas ruas desviando dos jacarés.
e é ainda mais incrível como o guarda-chuva proteje, mas só a cabeça. o pé, pernas, costas e tudo mais é banhado, pois com a chuva não chega apenas a água, mas sim a água e o vento, ventania.
enquanto escrevo ainda chove, choverá por horas a fio.
e manhã o dia acordará bonito, belo e seco, um um lindo sol quente e uma genial brisa gelada.
e tudo isso durará até eu sair de casa, ficar 15 minutos fora e voltar correndo novamente para a lavanderia assombrada de casa para pendurar minhas meias e all-star encharcados no varal (quase) sempre lotado.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

é como se milhares de peneiras na minha cabeça filtrassem coisas que não podem ser filtradas, uma torneira aberta que mesmo assim não ao menos pinga. é um aglomerado de visopercepsensações mil, peixes das profundidades num caótico mar de não-saber ilimitado, uma ansiedade quieta em forma de marasmo conformado; concisões elementares.
me imagino de cigarro na boca vento no cabelo mas lembro que não fumo e novamente penso na quantidade de coisas não-críveis que existe no mundo de hoje, tomando como exemplo banal e imediato a programação da tv que acabei de zapear ali na sala no chão no puff: 60 canais de praticamente nada, no máximo meia dúzia de horas realmente aproveitáveis numa programação diária de mais de 2000 horas. algo conspira a favor da tosquice do mundo, deve ser a normose, patologia humana em franca ascensão graças à glamourização do lixo, do grotesco, do burro e automatizado. a existência de faustões e ratinhos mais do que explicita e confirma esta hipótese. com meus poucos vinte e poucos anos já possuo um inconformismo triste apesar de atualmente adotar uma visão positiva de mundo, mas a incapacidade de me sustentar financeiramente sem apoio familiar me torna uma pessoa melancólica, pois não apenas sei que cada coisa caminha com sua velocidade como acredito na minha pessoa e não quero desperdiçar isso num emprego-burro/linear qualquer a troco de merreca. e isso me reprime, me confina em pequenas atividades de alcance e funcionalidade limitada, poda criAtivamente qualquer mente e mostra quanto mais se quer ao menos tentar ajudar e contribuir com algo novo, algo sincero menos se consegue essa oportunidade a não ser que você esteja em todos os lugares ao mesmo tempo com todas as pessoas juntas que na verdade é a o que deve ser feito mas não sob essa ótica pop descartável estou aqui me veja e me ame, mas numa coisa de contato sincero.
E escrever sem olhar para tela sem bloquear o pensamento vendo apneas centenas de letrinahs na sua frente e você aperta eleas e combinações delas o amsi rápido depossível e as vezes vc erra mão não quer corrigir o alnce agora ´apertar todas o asmiq ´prápido possível e etorcer patrq que tenha uma cousaão qualquer e aque os c´ritivos vejam isso e elentendame e agchem genial e você seja glotirifcado com um deus criador de letars e everborragias mil.
sábado, 21 de outubro de 2006
Notamentos (pequenas anotações em pensamento)
Talvez
a vida seja
o pensar da física
com o sentir
da poesia.
a vida seja
o pensar da física
com o sentir
da poesia.
sábado, 8 de julho de 2006
(projeto de um) ensaio qualquer
E não bastava o Ser-Humano descobrir que impreterivelmente um dia morreria, precisava criar a tecnologia.
Todos somos — não há como negar — escravos tecnológicos. controle-remoto, celular, MSN©, Orkut©, microondas, e-mail. eu sou tu és eles são.
Criam soluções milagrosas para problemas até então inexistentes, fazem você comprar aquilo muitas vezes achando que está sendo barato, para depois descontarem de você o desconto dado, na forma de horas e horas perdidas falando com humáquinas criadas pelo Desemprego que apenas sabem transferir o ramal e gerar protocolos.
horas+horas+horas a(o) fio.
Eu deveria ser esperto, deixar de escrever baboseiras e criar uma máquina mezzo secretária-eletrônica mezzo pré-advogado. Seria um aparelho que, ligado ao telefone com..., não: seria um programa, um software, bem fácil de se usar, onde bastaria programar, informar seus dados, o 0800 da megacorporação que lhe enganou e escolher num menu qual é o seu problema. teria ainda a opção de escolher a voz (H/M, grave/aguda, brava/tranqüila/desesperada/etc) e pronto! o seu Digilawyer for Consumer (penso em chamá-lo de algo assim) liga para a central, confirma todos os dados, explica o problema e o faz repetidas vezes, até conseguir falar com alguém que lhe dê a informação para avançar de estágio (creio ser difícil — até para uma máquina — conseguir em menos de dois dias de ligações solucionar qaulquer problema, por mais simples que ele possa parecer), e, se isso não for possível, o software coloca em ação sua parte lawyer para funcionar, argumento segundo as leis vigentes no local e podendo até — automaticamente, desde que programado — subir o tom de voz (regulável) no meio da negociação. mas não foi pra isso que comecei a escrever este texto.
Tecnologia traz burocracia e isso gera o “Telemarketing”. (incluo centrais de atendimento ao consumidor quando uso essa palavra).
pronto.
Seria arbitrário negar o poder da Palavra; não da palavra divina — essa sim arbitrária em sua afirmação.
Todos somos — não há como negar — escravos tecnológicos. controle-remoto, celular, MSN©, Orkut©, microondas, e-mail. eu sou tu és eles são.
Criam soluções milagrosas para problemas até então inexistentes, fazem você comprar aquilo muitas vezes achando que está sendo barato, para depois descontarem de você o desconto dado, na forma de horas e horas perdidas falando com humáquinas criadas pelo Desemprego que apenas sabem transferir o ramal e gerar protocolos.
horas+horas+horas a(o) fio.
Eu deveria ser esperto, deixar de escrever baboseiras e criar uma máquina mezzo secretária-eletrônica mezzo pré-advogado. Seria um aparelho que, ligado ao telefone com..., não: seria um programa, um software, bem fácil de se usar, onde bastaria programar, informar seus dados, o 0800 da megacorporação que lhe enganou e escolher num menu qual é o seu problema. teria ainda a opção de escolher a voz (H/M, grave/aguda, brava/tranqüila/desesperada/etc) e pronto! o seu Digilawyer for Consumer (penso em chamá-lo de algo assim) liga para a central, confirma todos os dados, explica o problema e o faz repetidas vezes, até conseguir falar com alguém que lhe dê a informação para avançar de estágio (creio ser difícil — até para uma máquina — conseguir em menos de dois dias de ligações solucionar qaulquer problema, por mais simples que ele possa parecer), e, se isso não for possível, o software coloca em ação sua parte lawyer para funcionar, argumento segundo as leis vigentes no local e podendo até — automaticamente, desde que programado — subir o tom de voz (regulável) no meio da negociação. mas não foi pra isso que comecei a escrever este texto.
Tecnologia traz burocracia e isso gera o “Telemarketing”. (incluo centrais de atendimento ao consumidor quando uso essa palavra).
pronto.
Seria arbitrário negar o poder da Palavra; não da palavra divina — essa sim arbitrária em sua afirmação.
domingo, 23 de abril de 2006
Energia & Lembrança (um primeiro pensamento)
Seria a lembrança fruto da percepção inconsciente de resíduos d’energias pessoais?
Isso me ocorreu quando estava no banco de passageiro do carro dum amigo e — no mesmo instante em que lembrei que ficara de ligar para um outro amigo naquela noite — o que dirigia comentou sobre o restaurante pelo qual passávamos em frente naquele momento, o mesmo para o qual este mesmo amigo em que pensei fez um trabalho de marketing (ou algo do tipo) no seu surgimento.
Por que teria eu escolhido (aleatoriamente?) aquele momento, naquela rua, entre tantas pelas quais passamos antes e depois para me lembrar deste segundo amigo exatamente em frente ao único recinto que possui uma ligação forte direta com ele?
Quando lembramos de alguém — mais ainda — quando sentimos saudades de alguém, poderia ser também a percepção inconsciente dum resíduo (este podendo ser de variados tamanhos em virtude de muitos fatores) energético dessa pessoa que ficou impregnado em nós? Assim como o cheiro na roupa traz a lembrança, a energia “absorvida” (num sentido positivo, não como se sugada, mas sim depreendida naturalmente por leis naturais da convivência cósmica) guardada em nosso “cerne”, “alma”, “coração” (chamem como quiser) também ativa essa capacidade inconsciente e inerente de lembrar?
São só dúvidas, dúvidas...
Isso me ocorreu quando estava no banco de passageiro do carro dum amigo e — no mesmo instante em que lembrei que ficara de ligar para um outro amigo naquela noite — o que dirigia comentou sobre o restaurante pelo qual passávamos em frente naquele momento, o mesmo para o qual este mesmo amigo em que pensei fez um trabalho de marketing (ou algo do tipo) no seu surgimento.
Por que teria eu escolhido (aleatoriamente?) aquele momento, naquela rua, entre tantas pelas quais passamos antes e depois para me lembrar deste segundo amigo exatamente em frente ao único recinto que possui uma ligação forte direta com ele?
Quando lembramos de alguém — mais ainda — quando sentimos saudades de alguém, poderia ser também a percepção inconsciente dum resíduo (este podendo ser de variados tamanhos em virtude de muitos fatores) energético dessa pessoa que ficou impregnado em nós? Assim como o cheiro na roupa traz a lembrança, a energia “absorvida” (num sentido positivo, não como se sugada, mas sim depreendida naturalmente por leis naturais da convivência cósmica) guardada em nosso “cerne”, “alma”, “coração” (chamem como quiser) também ativa essa capacidade inconsciente e inerente de lembrar?
São só dúvidas, dúvidas...
terça-feira, 7 de março de 2006
Uma Conversa
Enquanto isso, no mundo online:
— minha vida eu conto nos meus textos.
— mas tem que entender de você... cada um que lê interpreta dum modo
— é bom, pois assim posso ser várias pessoas ao mesmo tempo.
— se você sabe quem é não precisa ser várias pessoas
— verdade, mas ainda assim prefiro ser; interpretar vários papéis. a monovalência me cansa, a mesmice me destrói, aniquila meus prazeres, minha vivência se torna decorada, dá pra se viver de olho fechado.
(achava que poderia ser vários seres num corpo só, por isso essa necessidade de ser mais de um; ou não, talvez seja tudo falso: mundos&amores, [a/des]venturas inventadas — páginas de mentiras criadas por alguém que nunca saiu de casa)
— minha vida eu conto nos meus textos.
— mas tem que entender de você... cada um que lê interpreta dum modo
— é bom, pois assim posso ser várias pessoas ao mesmo tempo.
— se você sabe quem é não precisa ser várias pessoas
— verdade, mas ainda assim prefiro ser; interpretar vários papéis. a monovalência me cansa, a mesmice me destrói, aniquila meus prazeres, minha vivência se torna decorada, dá pra se viver de olho fechado.
(achava que poderia ser vários seres num corpo só, por isso essa necessidade de ser mais de um; ou não, talvez seja tudo falso: mundos&amores, [a/des]venturas inventadas — páginas de mentiras criadas por alguém que nunca saiu de casa)
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006
Cores no Céu (& Música)
Mais Um Com Estrelas & Tristezas
toda vez
qu’eu vejo
suas estrelas
(na porta da sala)
uma estrela
(no céu do meu coração)
se apaga.
qu’eu vejo
suas estrelas
(na porta da sala)
uma estrela
(no céu do meu coração)
se apaga.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006
dente do ciso
tua tristeza é sem motivo
eu que quis te te dar meu tudo
(meu peito & meu riso)
ganhei apenas incompreensão
& indiferença, como
um dente chato do ciso
eu que quis te te dar meu tudo
(meu peito & meu riso)
ganhei apenas incompreensão
& indiferença, como
um dente chato do ciso
é chato isso
saudade dentro arde
(felicidade triste surpresa)
acima da tarde,
liberdade.
presente já dado
sem gesto nem
nada/nado na
lembrança triste
dum recém
-passado.
(felicidade triste surpresa)
acima da tarde,
liberdade.
presente já dado
sem gesto nem
nada/nado na
lembrança triste
dum recém
-passado.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2006
bagôncio & o porco dândi

"(...) subiu os mais de 17km de altura e, ao respirar aliviado com os dois pés fixos no cume, surge na sua frente um porco dândi com complexo de esfinge que lhe pergunta:
“Por que a Arte existe?”(...)"
(do conto "Sol 357Kw HMI" encontrado em http://baga.multiply.com/journal/item/100)
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006
Zumbis do Mar
Eram seres feios, de carne azulada (como os que morrem afogados), cabelos escuros e ralos, muito parecidos com zumbis. Estavam no lago (que de verde tornou-se cinza esfumaçado) em canoas, atravessando de um lado para o outro. Confesso que tive receio, imaginei serem “do mal”, provavelmente pela sua feiúra; mas como não me inspiravam medo, não havia mal em seus olhos vagos.
Cerca de três ou quatro canoas indo & vindo, todos com a mesma carga, até então não identificada por mim. Criei coragem e perguntei o que transportavam.”carne. humana”. Surpreendi-me por não sentir nojo. Aqueles zumbis eram espíritos não presos ao Samsara; energias não-evoluídas, escravos do consciente incumbidos de atravessar — por milênios —os corpos dos mortos de um mundo ao outro. Assim que compreendi isso, antes de pedir para dar um passeio eles sumiram e novamente o lago se tornou esverdeado e ensolarado.
Cerca de três ou quatro canoas indo & vindo, todos com a mesma carga, até então não identificada por mim. Criei coragem e perguntei o que transportavam.”carne. humana”. Surpreendi-me por não sentir nojo. Aqueles zumbis eram espíritos não presos ao Samsara; energias não-evoluídas, escravos do consciente incumbidos de atravessar — por milênios —os corpos dos mortos de um mundo ao outro. Assim que compreendi isso, antes de pedir para dar um passeio eles sumiram e novamente o lago se tornou esverdeado e ensolarado.
Palavranada
O mundo das letras é mágico, é místico.
Palavras possuem o poder de lhe tirar dum lugar e jogar em qualquer outro. Palavras começam e terminam guerras.
No mundo das letras não há tempo, não há espaço. sem as letras nada há.
Nem esta palavra NADA aqui escrita.
Palavras possuem o poder de lhe tirar dum lugar e jogar em qualquer outro. Palavras começam e terminam guerras.
No mundo das letras não há tempo, não há espaço. sem as letras nada há.
Nem esta palavra NADA aqui escrita.
terça-feira, 31 de janeiro de 2006
Dancin' Jean-Claude
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