domingo, 2 de dezembro de 2007

Dentrodouvido

Andar pelas ruas de qualquer grande cidade é algo sempre interessante.
Por essas perambuladas podemos perceber de modo mais explícito o (macro e o micro) universo que nos rodeia.
Cada dia mais vejo pelas ruas pessoas com fone no ouvido. Uns ouvem música, outros celular, outros sei lá. Engravatados, maloqueiros, senhoras e crianças: todos com seus fones, isolados em seus mundinhos internos, seja numa tentativa de fuga da "realidade" ou num simples querer calar os barulhos urbanos.
Como tudo no mundo, isso pode ser usado de modo produtivo ou não, dependendo da subjetividade de cada um, já que esse ensimesmar-se pode ser útil para o processo de individuação de cada um, como pode também ser mais uma forma de amortecer o cérebro diante do processo de estupidificação pelo qual passa a cultura contemporânea sob influência impositiva das mídias atuantes nas camadas mais populares da sociedade.
É sabido que vivemos sob paradigmas & imposições etnocêntrico-conceituais que visam, em última instância, a ezquizofrenia. Inserir aparelhos cada vez mais minúsculos dentro dos nossos ouvidos, ampliando deste modo a chance de vozes invadirem nossas cabeças e sair pela rua falando (aparentemente) sozinho certamente não ajudam a evitar que isso ocorra, pelo contrário, estimulam mais ainda o surgimento de neoeremitas urbanos, primatas tecnológicos que habitam os galhos solitários de imensas árvores de concreto.

Um comentário:

Anônimo disse...

nao vai escrever mais?