V –
acostume-se a tudo
que lhe passa
lhe acontece
mas não muito
pois tudo é temporário
(inclusive “eu”
“você” ou “nós”)
tudo é experiência
tudo é válido
nada é verdadeiro
tudo é permitido
crie seu deus
mas deixe-o solto
V –
acostume-se a tudo
que lhe passa
lhe acontece
mas não muito
pois tudo é temporário
(inclusive “eu”
“você” ou “nós”)
tudo é experiência
tudo é válido
nada é verdadeiro
tudo é permitido
crie seu deus
mas deixe-o solto
(des)fragmentos dumamente caótica
II –
me desprogramando
posso me reprogramar
sendo aparentemente “bobo”
torno-me atento e “vivo”
viver é ser funcional
quebrar pré-conceitos
arrebentar paradigmas— viver é despadronizar-se
acabo de fazer este poema como um incentivo para mim mesmo.
está na hora de encarar este blog realmente como um blog.
tanto que já estou escrevendo diretamente pensando que pessoas me lerão.
isso, lerão a mim, pois como meu conhecido Sartre já disse, "escrever é desnudar-se".
é curioso e ainda inexplicável para mim como as duas coisas — "viver" e "escrever" — são tão diferentes e tão iguais. uma coisa é cópia da outra. suportes diferentes para uma mesma obra.
obra está muitas vezes tida como ingrata, pois (quase) nunca está completa, eterno work in progress, onde cada capítulo (aceitando capítulo como cada fase da obra, independente de ser escrita ou não) termina com a morte física do artista, ou como prefiro me referir, do arteiro.
em alta e boa grafia neste momento assumo:
SOU ARTEIRO!
encaro de vez o peso e o dever de me dedicar a algo que não será (quase) nunca mesmo (por mim ou não) compreendido, exatamente porque Arte não é pra ser entendida, mas sim sentida, vivída.
Arte não é um quadro, livro, música ou qualquer outra coisa tangível. mas não por isso é algo abstrato. mesmo (quase) intangível, Arte é algo concreto. sob minha óptica, Arte é a relação entre o arteiro e a obra fruto desta relação. é o momento em que o arteiro penetra num tempo mágico, não-linear, onde a relação causa/efeito é desfeita.
usando as idéias de "tempo de imagem" de Flusser: "no tempo linear, o nascer do sol é a causa do canto do galo; no circular, o canto do galo dá significado ao nascer do sol, e este dá significado ao canto do galo". isso é tempo-mágico, ou de magia. isso é tempo-arte.
o arteiro é aquele ser que carrega o fardo de possuir uma necessidade maior que sua própria vontade de tentar interpretar o mundo. necessidade esta que precisa ser exteriorizada, materializada de algum modo (mesmo que efêmero) no mundo de aparências tridimensional em que vivemos a maior parte da nossa vida acordada.
Arte não é artista ou obra, mas a relação entre eles. a nível quântico isso pode ser entendido mais facilmente se tomarmos a música como exemplo, onde o que nos permite ouvi-la é a relação entre duas notas, não cada nota separada. assim como o universo material é fruto de vibrações de notas cósmicas. eu não começo onde você termina, mas sim continuo a partir deste ponto.
mas para texto introdutório de re-inauguração dum blog, este já se tornou deveras extenso. creio que longos textos afastem ainda mais os potenciais leitores deste blog.
Desculpem o template padrão, a aparência padrão do site, mas tentarei aos poucos ir melhorando o visual, deixando o lance mais bacana.
por enquanto posso apenas tentar manter uma certa regularidade de posts (sempre que possível) interessantes.
seja bem-vindo, fique a vontade.
volte sempre e, sentindo vontade, expresse-se também.
um não-lugar fora do tempo, localizado em qualquer brecha entre a 5º e a 26º dimensão, onde nada é verdadeiro, tudo é permitido. poesia, críticas, xamanismo, resenhas, pensamentos, música, terrorismo poético, física quântica, receitas, dicas, psicoativos, filmes, magia, achismos, ensaios, livros... um aglomerado de infinitos. crie seu deus e deixe-o solto. fiquem a vontade, xinguem, voltem, elogiem, espalhem. Monocromatismo Colorido: Subjetivarte Poético-Daltônica & Metafísica.