sexta-feira, 16 de março de 2007

Ca(c)os

(des)fragmentos dumamente caótica

V –

acostume-se a tudo

que lhe passa

lhe acontece

mas não muito

pois tudo é temporário

(inclusive “eu”

“você” ou “nós”)

tudo é experiência

tudo é válido

nada é verdadeiro

tudo é permitido

crie seu deus

mas deixe-o solto

"Hitchflowers"




(30 x 20 cm)
tinta acrílica, canetinha e jornal sobre papel

Ca(c)os

(des)fragmentos dumamente caótica


II –

me desprogramando

posso me reprogramar

sendo aparentemente “bobo”

torno-me atento e “vivo”


viver é ser funcional

quebrar pré-conceitos

arrebentar paradigmas

viver é despadronizar-se

sábado, 10 de março de 2007

MAIS UM (re)COMEÇO

(chegou a hora de tentar mais uma vez)

inícios, inícios:

tudo começa através deles
grandes transformações
(invariavelmente)
são seus frutos

inícios: portais para novos mundos



acabo de fazer este poema como um incentivo para mim mesmo.
está na hora de encarar este blog realmente como um blog.
tanto que já estou escrevendo diretamente pensando que pessoas me lerão.
isso, lerão a mim, pois como meu conhecido Sartre já disse, "escrever é desnudar-se".
é curioso e ainda inexplicável para mim como as duas coisas — "viver" e "escrever" — são tão diferentes e tão iguais. uma coisa é cópia da outra. suportes diferentes para uma mesma obra.
obra está muitas vezes tida como ingrata, pois (quase) nunca está completa, eterno work in progress, onde cada capítulo (aceitando capítulo como cada fase da obra, independente de ser escrita ou não) termina com a morte física do artista, ou como prefiro me referir, do arteiro.
em alta e boa grafia neste momento assumo:
SOU ARTEIRO!
encaro de vez o peso e o dever de me dedicar a algo que não será (quase) nunca mesmo (por mim ou não) compreendido, exatamente porque Arte não é pra ser entendida, mas sim sentida, vivída.

Arte não é um quadro, livro, música ou qualquer outra coisa tangível. mas não por isso é algo abstrato. mesmo (quase) intangível, Arte é algo concreto. sob minha óptica, Arte é a relação entre o arteiro e a obra fruto desta relação. é o momento em que o arteiro penetra num tempo mágico, não-linear, onde a relação causa/efeito é desfeita.

usando as idéias de "tempo de imagem" de Flusser: "no tempo linear, o nascer do sol é a causa do canto do galo; no circular, o canto do galo dá significado ao nascer do sol, e este dá significado ao canto do galo". isso é tempo-mágico, ou de magia. isso é tempo-arte.

o arteiro é aquele ser que carrega o fardo de possuir uma necessidade maior que sua própria vontade de tentar interpretar o mundo. necessidade esta que precisa ser exteriorizada, materializada de algum modo (mesmo que efêmero) no mundo de aparências tridimensional em que vivemos a maior parte da nossa vida acordada.

Arte não é artista ou obra, mas a relação entre eles. a nível quântico isso pode ser entendido mais facilmente se tomarmos a música como exemplo, onde o que nos permite ouvi-la é a relação entre duas notas, não cada nota separada. assim como o universo material é fruto de vibrações de notas cósmicas. eu não começo onde você termina, mas sim continuo a partir deste ponto.

mas para texto introdutório de re-inauguração dum blog, este já se tornou deveras extenso. creio que longos textos afastem ainda mais os potenciais leitores deste blog.

Desculpem o template padrão, a aparência padrão do site, mas tentarei aos poucos ir melhorando o visual, deixando o lance mais bacana.

por enquanto posso apenas tentar manter uma certa regularidade de posts (sempre que possível) interessantes.

seja bem-vindo, fique a vontade.

volte sempre e, sentindo vontade, expresse-se também.