domingo, 21 de dezembro de 2008

Libertè

a liberdade
é o maior &
mais pesado
fardo
de todòs homens

não basta ter liberdade
para sermos livres
é preciso
antes de tudo
saber utilizá-la
conceitos e/ou teorias audiovisuais
sem nenhum produto audiovisual tangível
são apenas conceitos e teorias audiovisuais

um produto audiovisual tangível
sem nenhum conceito e/ou teorias audiovisuais
é publicidade
não, não era o inferno:

era apenas àvenida
forrada de enfeites bregas
num sábado a noite
a cinco dias do natal

sábado, 8 de novembro de 2008

Silêncio

defronte a um céu cinza
na fumaça me
embreago por ela
sou ao passado levado

quando não tinhamos o dom
(maldição?) da fala apenas
a natureza falava
através dos seus sons
símbolos imagens

até que aprendemos a falar
e desdentão nunca
mais a escutamos

domingo, 26 de outubro de 2008

Conjunto 20

Um dos (tantos) problemas de se viver numa cidade grande, mais especificamente em são paulo (fora os engarrafamentos, poluição sonora & afins já incorporados aos seres que a habitam), uma coisa que me incomoda & aflige, é a variação climática súbita, que nos pega de supetão e traz consigo um monte de tranqueiras, daquelas que nosso corpo não é muito fã.
essa mudança repentina associada à baixa umidade do ar então é tirequeda praficar mal. seja renite, sinosite ou qualquer dessas outras ites, morar aqui é pedir para adquirir (ao menos) alguma dessas.

quando criança, nunca tive esse tipo de coisa. abstou me mudar para a paulicéia para elas se manifestarem. um dia, depois de muito tempo com sintomas de resfriado, alguém me disse que aquilo era renite. pesquisei e confirmei que realmente deveria ser. nunca traterei, apenas passei a evitar coisas que ativassem esse mal escondido em meu corpo. mudei, fiquei dois anos fora vivendo uma ampla província com minhas vias respiratórias mais limpas. voltei e a renite voltou comigo. meses atrás, durante uma das já citadas inversões térmicas paulistanas bizarras, senti algo que batia com as descrições de sinusite dadas pelo meu médico, dr. google.

é difícil falar qual delas é a pior, visto que todas são horríveis e incômodas. mas na semana passada, plena sexta-feira esturricante, foi a vez de outro mal, talvez, na minha opinião, o pior deles, me atacar: a lacrimejante conjuntivite.
há 10 anos uso lentes de contato para a miopia e esta inflamação sempre foi algo indesejável, doloroso e irritativo.
na madrugada de quinta pra sexta, tão subitamente quanto as mudanças climáticas acordei com uma baita dor no olho direito, que estava ardente e lacrimejando às bicas. cego fui ao banheiro, lavei o rosto, muita água nos olhos. pinguei algumas gotas daquelas lágrimas artificiais e tentei dormir.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

um outro (con)texto

sim têm sido dúbias
amplas & apertadas ruas
as que tenho percorrido
nas últimas medidas de marcação temporal
— sejam elas quais forem

dúbias: abstratoconcretas
todas as dúvidas que não tenho

pelas vielas do acaso
do torpor ao disabor
em cada esquina me lembro
dos restos de qualquer amor
dos que tive
pude ter não tive
pelos avessos caminhos do descaso ambulante
cascas de cotidiano picadas em lembranças
— minhas & de todà humanidade

ando felizelegante-sorrateiro
como o gato em busca de conversa de comida de afago
pé ante pata mínimo de ruído
a noite (a tarde o dia) já é a mais bela sinfonia
mesmo o escalafobético som dos dragões bebedores de petróleos
suas negras baforadas agudos urros de mórbido prazer
mesmo assim o silêncio interno é a chave do felino
que sob o sobre-
tudo balança a cauda num constante monólogo mudo
sobre a criação do universo de
tudo que há no mundo de
verdade mentira fazdeconta sabelselá


é segunda-feira em sãopaulo
mais uma semana começou &
(ao menos para você) o mundo não acabou
a terra continua girando você se esforça para girar na mesma velocidade que ela
— que parece a cada segundo girar mais & mais & + rápido —
o que você esperava (obviamente) não aconteceu
duas horas dentro dum ônibus & toda a potencialidade
do vir a ser

na casadasrosas pinguins enfiam seus bicos em longas taças
como não tens bico bebes no balde gelo & finos maltes
nada de tratado luso-brasileiro da dignidade humana não
mas o gato por dentro estranho & desconexo
elemento dentro (fora) de tal contexto
um outro texto

mais um dentre tantos tolos
trogloditas gentis da demanda burocrática
— mandem o burro para ática!

sábado, 23 de agosto de 2008

solto 17:52 ("çabado sem çol")

sentir sau-
dade da
solidão é
algo estúpido

mesmo a-
sim eu
sinto muito

terça-feira, 19 de agosto de 2008

solto 0:40 (pós"Nome Próprio")

as melhores respostas sempre me vêm algum tempo depois que a pergunta foi feita, assim como as melhores cantadas surgem depois que já me despedi.

provavelmente por isso eu escrevo, para colocar no mundo, mesmo que em forma de ficção, experiências que, sem querer, me privei de ter (ao menos de me arriscar a ter).

será o texto um medo de arriscar, pretexto para se auto-sabotar?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

solto 0:03

é a vida para ser escrita
ou
a escrita para ser vivida?

sofrimento:
auto-penitência passageira
ou
combustível caro?

quando o cérebro pensa
o coração se cala;
no silêncio do coração
escuto meu cérebro a chorar