segunda-feira, 29 de setembro de 2008

um outro (con)texto

sim têm sido dúbias
amplas & apertadas ruas
as que tenho percorrido
nas últimas medidas de marcação temporal
— sejam elas quais forem

dúbias: abstratoconcretas
todas as dúvidas que não tenho

pelas vielas do acaso
do torpor ao disabor
em cada esquina me lembro
dos restos de qualquer amor
dos que tive
pude ter não tive
pelos avessos caminhos do descaso ambulante
cascas de cotidiano picadas em lembranças
— minhas & de todà humanidade

ando felizelegante-sorrateiro
como o gato em busca de conversa de comida de afago
pé ante pata mínimo de ruído
a noite (a tarde o dia) já é a mais bela sinfonia
mesmo o escalafobético som dos dragões bebedores de petróleos
suas negras baforadas agudos urros de mórbido prazer
mesmo assim o silêncio interno é a chave do felino
que sob o sobre-
tudo balança a cauda num constante monólogo mudo
sobre a criação do universo de
tudo que há no mundo de
verdade mentira fazdeconta sabelselá


é segunda-feira em sãopaulo
mais uma semana começou &
(ao menos para você) o mundo não acabou
a terra continua girando você se esforça para girar na mesma velocidade que ela
— que parece a cada segundo girar mais & mais & + rápido —
o que você esperava (obviamente) não aconteceu
duas horas dentro dum ônibus & toda a potencialidade
do vir a ser

na casadasrosas pinguins enfiam seus bicos em longas taças
como não tens bico bebes no balde gelo & finos maltes
nada de tratado luso-brasileiro da dignidade humana não
mas o gato por dentro estranho & desconexo
elemento dentro (fora) de tal contexto
um outro texto

mais um dentre tantos tolos
trogloditas gentis da demanda burocrática
— mandem o burro para ática!