sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Est(r)anho

eu só quero é tomar banho
& beber estanho:
ficar
cada dia mais estranho.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Vênus Sem Pele

você
líquida
líquida e colorida
colorida
cores cores cores
& mais cores
& mais líquidos
lânguida, escorrida
corrida, correndo
corrente
luzes luzes & cores
& líquidos & luzes
escorrendo
ex-correndo
escrevendo vendo
vendo ex-
crê, vendo
vejo você
vejo
você
es-(pecial)
correndo, líquida
colorida.

sábado, 21 de março de 2009

Cliché Poème nº03

antes mesmo de iniciar
antes de realmente
começar previno sinto
devo avisar você:

nas próximas linhas serei
— absolutamente —
meloso & clichê, mas

como agora
que a madrugada findou
o sol ainda não raiou
— no limbo —
com borboletas
insandecidas correndo
pervoando todò meu
— bêbado — interior

como não pensar
em você, na tua
pureza teu carinho
todo seu imenso
& sincero amor?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

[videoclipe] Sunset - "Run With Me"

Acredito que Arte seja algo processual, sendo a obra não a finalidade, mas apenas um fruto deste processo. A finalidade da Arte é o processo artístico em si, consistinto assim numa experiência primordialmente subjetiva, tornando-se universal quando efetuada com sucesso.

No mundo da produção audiovisual independente, quase que geralmente, o processo é mais interessante do que o produto final, pois este sofre dilacerações técnico-artísticas devido à constante falta de verba.

Por isso, a partir de agora aproveitarei este espaço para divulgar minhas experimentações audiovisuais, tecendo um pequeno comentário a respeito do percurso percorrido para chegar ao que vocês poderão assistir.

Privilegiarei vídeos postado no Fiz.TV e peço que, se não for incômodo, votem para que ele seja exibido na TV e eu ganhe dinheirinhos para poder continuar experimentando.

Começarei com minha última produção, um videoclipe dos meus camaradas do Sunset.



Era domingo e a banda tocaria na Av. Paulista pelo projeto "Música na Rua". Como não possuiam nenhum registro em vídeo me perguntaram se eu poderia registrar a apresentação de algum modo, o que obviamente topei.
Consegui duas câmeras bacanas e quando fui ver uma delas estava sem bateria e sem carregador e eu não conseguiria pegá-lo a tempo.
Com cara e coragem fui lá com uma única câmera e, graças ao meu naturalismo inerente, fiz um plano sequência durante os 50 minutos do show.
Obviamente na hora de pensar no que montar percebi que eu não tinha planos para corte e afins.
Diante disso, nada melhor do que recorrer ao bom e velho Archive.org para achar algum material complementar.
Busca realizada com sucesso, foi só montar, texturizar e fazer umas firulas tudo para que as gravações em HD se misturassem ao material de arquivo baixado e tudo ficasse ok!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Ontem













"09fevIX_pre18h"
feito durante o movimentado dia de ontem, entra & sai, blá blá blá até antes das 18h.


"09fevIX_pos18h"
o movimento continuou até cerca de 23h e a rádio abelion tocou madrugada adentro.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Frutos do Som

Série de desenhos criados pelo Voice Draw de Ze Frank aqui na Centoeonze nos últimos dias:





"06fevIX"
sexta-feira tranquila, boa parte do tempo a sala estava vazia.










"07fevIX"
sábado sem ninguém no ambiente, apenas os barulhos urbanos naturais.











"08-09fevIX"
domingo de trabalho árduo, muito movimento a partir do final do dia. desenho iniciado com os lamentos de Jeff Buckley e finalizado pelos sons urbanos madrugada adentro.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Desenhe cantando

Uns dois dias atrás, sei lá como, numa dessas navegadas virtuais à deriva, cheguei a esse interessante site:
http://www.zefrank.com/v_draw_beta/index3.html

E o que é isso?
Um aplicativo para se desenhar com a voz. Isso mesmo, ele converte áudio em traços. Sons baixos fazem a linha se curvar no sentido anti-horário (agora, após a ridícula nava reforma gramatical da língua portuguesa, com ou sem hífen?), sons altos no sentido horário e sons médios criam traços retos.

Na prática não consegui desenhar imagens muito figurativas, mas o criador até que faz alguns rostos interessantes. O software está em constante evolução, esse link é para a versão beta 3 (até este momento a mais atual).

Você só precisa de um microfone e soltar a voz. Não gostou do resultado? Clique em qualquer lugar que a tele fica limpa e você pode começar de novo (note que o desenho sempre parte do centro da tela).

Zé Frank (suponho que seja esse o nome do criador) sugere que as pessoas enviem seus desenhos para serem postados. Não fiz isso ainda (e acho que nem vou fazer), mas pretendo postar aqui, sempre que possível, desenhos feitos pelo ambiente no qual eu me encontrar, abrindo a página do aplicativo quando chego e deixando-a em segundo plano durante todo o dia.

Esse é o primeiro da série:
Fruto do dia 04 de fevereiro de 2009, no Centoeonze (Núcleo de Realização Multimídia).
Dia de filmagem, a sala esteve pouco movimentada o dia todo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Betânia

(dizem que) Betânia, há muitos anos, sempre pedalava pela avenida paulista, sob chuva, sob sol, Betânia sempre pedalava pela avenida paulista. (dizem que) era uma mulher de idade, provavelmente com mais de 50, já que a descreviam como uma rebordose sessentista ambulante, de roupas coloridas e amplo capacete capilar esvoaçante em sua bicicleta sempre pedalando pela avenida paulista.

(dizem que) ela sempre brigava com os motoristas, motoboys, transeuntes, sejá lá quem ameaçasse atrapalhar o seu trajeto enquanto ela pedalava pela avenida paulista. gritava, xingava, gesticulava — tudo isso sobre a bicicleta, não necessariamente sempre olhando para a frente enquanto xingava e pedalava pela avenida paulista, sob chuva, sob sol. todos que costumam pedalar pela avenida paulista conhecem Betânia ao menos de vista, ou de estórias.

(pelo que me lembro) nunca vi Betânia pedalando pela avenida paulista, talvez por ser eu basicamente um pedestre e observar mais meus semelhantes pedestres do que os evoluídos & admiráveis ciclistas que pedalam, sob chuva, sob sol, pela avenida paulista, sem poluir ou irritar, exercitando seu corpo & seu espírito pedalando, sob chuva, sob sol, por entre ônibus, carros, motos e outros monstros mecânicos da fauna urbana.

dois dias atrás, quarta-feira dia 14 de janeiro de dois mil & 9 (já?), pouco antes do meio-dia, Betânia pedalou pela avenida paulista, sob sol quente, pela última vez graças a um monstruoso ônibus que não contente em ultrapassá-la passou a por debaixo de suas rodas, pouco antes do meio-dia, pouco ao lado da frente do prédio no qual eu estava. a notícia veio da sala, conferi pela janela. um grande saco preto cobria Márcia Regina de Andrade Prado, 40, faleceu nessa quarta-feira, dia 14 de janeiro, ao ser atropelada por um ônibus enquanto pedalava na avenida paulista.

ninguém noticiou a morte de Betânia, apenas a de Márcia Regina, mais nova e recatada do que a personagem que me fora apresentada aos poucos durante as quase quatro horas que aquele corpo já sem vida permaneceu bloqueando uma das pistas da avenida paulista naquela chuvosa tarde de quarta-feira, gerando 1,1 km de engarrafamento na avenida paulista naquela quente ènsolarada tarde que — (talvez) em homenagem à Betânia (ou à Marcia Regina?) — tornou-se chuvosa e lavou o que sobrara da cilclista de 40 anos que fora atropelada e noticiada por todà web naquela quente & chuvosa tarde de quarta-feira, 14 de janeiro de dois mil & 9 (já?), quando pedalava pela avenida paulista sob o sol.

P.S.: dois dias depois descobri que tudo não passou de um boato. Betânia foi vista, sob o sol, pedalando e (talvez) fumando um cigarro pela avenida paulista. Márcia Regina foi homenageada pelos ciclistas, que desenharam no chão da faixa onde ela foi atropelada uma cruz branca.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

1500Km Depois

Durante a viagem de final de ano, estava sobre uma mesa baiana meu” caderno de artista”, um belo caderno artesanal com folhas de papel craft feito por uma grande amiga, presente recém-ganhado de aniversário. um outro grande amigo viu o caderno, “posso ver?”, “vai em frente”.
Como o caderno tinha cerca de uma semana de vida e eu o havia estreado dois antes, quando chegamos ao local onde estávamos, poucas páginas tinham algo e estavam num esquema desenho, texto, desenho, texto.
Ele folheou as páginas e depois e terminar sua olhada me perguntou “você prefere pintar ou escrever?”, “escrever, certeza”, respondi sem nem pensar, já que essa resposta deve ser uma das pouquíssimas certezas que tenho. “escrever ou filmar, editar?” perguntou — ou poderia ter perguntado — alguém. “escrever, sem dúvida”.

Os dias se passaram, 1500km depois, andando pela paulista, a situação narrada acima me voltou e então refleti a respeito dela, chegando à conclusão que independente do que utilizassem como opção ao ato de escrever querendo saber minha preferência entre ambos, a resposta seria sempre a mesma: escrever.
Então pensei na única coisa que talvez me agrade mais do que escrever, que é viver. viver enquanto estar preso a um corpo bípede dotado de sistema nervoso e (ao menos em teoria) inteligência, perambulando por um planeta conhecendo outros seres, similares e/ou totalmente distintos, descobrindo, sentindo, discutindo, experienciando & evoluindo, coletiva & individualmente a maravilha de se estar vivo, já que isso é (para mim) matéria-prima para qualquer aglomerado de pensamentos que eu possa tentar organizar em forma de palavras.

E hoje, novamente caminhando pela amiga paulista em direção à batalha eterna do dia contra a noite, sentindo o vento morno e abafado da cidade-motor do país, absorvendo o calor que me torna canibal e deixa todas as mulheres envoltas em pedaços de panos mais sensuais e desejáveis, compreendi que nem o fogo do sol é mais quente que minha paixão pela Vida.