domingo, 2 de dezembro de 2007

Dentrodouvido

Andar pelas ruas de qualquer grande cidade é algo sempre interessante.
Por essas perambuladas podemos perceber de modo mais explícito o (macro e o micro) universo que nos rodeia.
Cada dia mais vejo pelas ruas pessoas com fone no ouvido. Uns ouvem música, outros celular, outros sei lá. Engravatados, maloqueiros, senhoras e crianças: todos com seus fones, isolados em seus mundinhos internos, seja numa tentativa de fuga da "realidade" ou num simples querer calar os barulhos urbanos.
Como tudo no mundo, isso pode ser usado de modo produtivo ou não, dependendo da subjetividade de cada um, já que esse ensimesmar-se pode ser útil para o processo de individuação de cada um, como pode também ser mais uma forma de amortecer o cérebro diante do processo de estupidificação pelo qual passa a cultura contemporânea sob influência impositiva das mídias atuantes nas camadas mais populares da sociedade.
É sabido que vivemos sob paradigmas & imposições etnocêntrico-conceituais que visam, em última instância, a ezquizofrenia. Inserir aparelhos cada vez mais minúsculos dentro dos nossos ouvidos, ampliando deste modo a chance de vozes invadirem nossas cabeças e sair pela rua falando (aparentemente) sozinho certamente não ajudam a evitar que isso ocorra, pelo contrário, estimulam mais ainda o surgimento de neoeremitas urbanos, primatas tecnológicos que habitam os galhos solitários de imensas árvores de concreto.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Fumaçexo

Madame Blavatsky dizia que o tabaco servia para mantê-la conectada a este plano dimensional, que era algo que a mantinha com um pé na Terra. Não sei se ela realmente disse isso em algum momento de sua(s) vida(s), mas quando comentaram comigo, achei tal comentário totalmente pertinente.
Talvez, por esse mesmo motivo, os fumantes concordem que um dos melhores momentos para se fumar é o pós-coito. Não posso afirmar isso devido ao fato de não ser fumante, mas o sexo sem dúvida é uma das experiências mais importantes e mágicas para o ser humano. O verdadeiro ato sexual é um ritual mágico dos mais poderosos, criador não só da Vida, mas também do Amor, do Ódio, da Morte, de qualquer outra coisa existente no Universo; durante o sexo, Deuses nascem e morrem, são criados e destruídos.
O orgasmo, a liberação de toda energia sexual — energia vital, cósmica — acumulada é um portal de acesso a quaisquer outros planos. Com um certo conhecimento e preparação adequados, pode-se aproveitar os microssegundos deste “clarão mental” e mergulhar no mesmo rumo a novos estados de percepção.
Por isso a importância do cigarro após este ato, para trazer o corpo energético, sutil, etérico — chamem-no como quiserem — de volta ao plano físico. A fumaça do tabaco, neste momento, serve de elo entre estes diferentes corpos, juntando-os novamente em nossa efêmera & ilusória carcaça após tamanho devaneio livre.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

7.9.7

(com sinceridade)

no frio feriado,
temporada de bebê-rei:

no alto da montanha,
por três dias,

comi, durmi, caguei.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

dizem que
quem planta,
colhe

mas o que plantar
é cada um
qu'escolhe.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Ca(c)os

(des)fragmentos dumamente caótica

V –

acostume-se a tudo

que lhe passa

lhe acontece

mas não muito

pois tudo é temporário

(inclusive “eu”

“você” ou “nós”)

tudo é experiência

tudo é válido

nada é verdadeiro

tudo é permitido

crie seu deus

mas deixe-o solto

"Hitchflowers"




(30 x 20 cm)
tinta acrílica, canetinha e jornal sobre papel

Ca(c)os

(des)fragmentos dumamente caótica


II –

me desprogramando

posso me reprogramar

sendo aparentemente “bobo”

torno-me atento e “vivo”


viver é ser funcional

quebrar pré-conceitos

arrebentar paradigmas

viver é despadronizar-se

sábado, 10 de março de 2007

MAIS UM (re)COMEÇO

(chegou a hora de tentar mais uma vez)

inícios, inícios:

tudo começa através deles
grandes transformações
(invariavelmente)
são seus frutos

inícios: portais para novos mundos



acabo de fazer este poema como um incentivo para mim mesmo.
está na hora de encarar este blog realmente como um blog.
tanto que já estou escrevendo diretamente pensando que pessoas me lerão.
isso, lerão a mim, pois como meu conhecido Sartre já disse, "escrever é desnudar-se".
é curioso e ainda inexplicável para mim como as duas coisas — "viver" e "escrever" — são tão diferentes e tão iguais. uma coisa é cópia da outra. suportes diferentes para uma mesma obra.
obra está muitas vezes tida como ingrata, pois (quase) nunca está completa, eterno work in progress, onde cada capítulo (aceitando capítulo como cada fase da obra, independente de ser escrita ou não) termina com a morte física do artista, ou como prefiro me referir, do arteiro.
em alta e boa grafia neste momento assumo:
SOU ARTEIRO!
encaro de vez o peso e o dever de me dedicar a algo que não será (quase) nunca mesmo (por mim ou não) compreendido, exatamente porque Arte não é pra ser entendida, mas sim sentida, vivída.

Arte não é um quadro, livro, música ou qualquer outra coisa tangível. mas não por isso é algo abstrato. mesmo (quase) intangível, Arte é algo concreto. sob minha óptica, Arte é a relação entre o arteiro e a obra fruto desta relação. é o momento em que o arteiro penetra num tempo mágico, não-linear, onde a relação causa/efeito é desfeita.

usando as idéias de "tempo de imagem" de Flusser: "no tempo linear, o nascer do sol é a causa do canto do galo; no circular, o canto do galo dá significado ao nascer do sol, e este dá significado ao canto do galo". isso é tempo-mágico, ou de magia. isso é tempo-arte.

o arteiro é aquele ser que carrega o fardo de possuir uma necessidade maior que sua própria vontade de tentar interpretar o mundo. necessidade esta que precisa ser exteriorizada, materializada de algum modo (mesmo que efêmero) no mundo de aparências tridimensional em que vivemos a maior parte da nossa vida acordada.

Arte não é artista ou obra, mas a relação entre eles. a nível quântico isso pode ser entendido mais facilmente se tomarmos a música como exemplo, onde o que nos permite ouvi-la é a relação entre duas notas, não cada nota separada. assim como o universo material é fruto de vibrações de notas cósmicas. eu não começo onde você termina, mas sim continuo a partir deste ponto.

mas para texto introdutório de re-inauguração dum blog, este já se tornou deveras extenso. creio que longos textos afastem ainda mais os potenciais leitores deste blog.

Desculpem o template padrão, a aparência padrão do site, mas tentarei aos poucos ir melhorando o visual, deixando o lance mais bacana.

por enquanto posso apenas tentar manter uma certa regularidade de posts (sempre que possível) interessantes.

seja bem-vindo, fique a vontade.

volte sempre e, sentindo vontade, expresse-se também.